Zodíaco: o teu horóscopo está errado?


Se os cientistas da Babilónia lessem o céu dos dias de hoje, a roda do Zodíaco seria completamente diferente.


A ciência é fruto de uma reflexão ponderara acerca do espaço que nos rodeia. E um dos primeiros cenários que todo o homem pôde contemplar foi, precisamente, a esfera celestial, e daí a astronomia ser das mais antigas, senão a mais antiga ciência da história da Humanidade.


Desde muito cedo, o homem começou a documentar uma série de factos baseados nas estrelas, que foram ganhando várias utilidades, fossem elas técnicas, como a navegação, religiosas, como a adoração do Sol, ou espirituais, como é o caso da invenção e evolução da astrologia.

Então vamos à História...

O Zodíaco foi identificado pela civilização da Babilónia há cerca de 3000 anos. Os babilónicos foram habitantes da Mesopotâmia, onde se situa hoje o Iraque, Síria, Kuwaitt e Turquia, ou por outra, a Ásia Ocidental. Sabemos disto graças à transcrição das suas descobertas científicas em catálogos gravados em pedra.


Três milénios volvidos, e as ciências do espaço evoluíram de tal forma que já podemos identificar o céu dos babilónicos e compará-lo ao nosso céu actual.


Então, descobrimos que o Zodíaco constitui uma série de constelações que se situavam no plano do ciclo solar dos babilónicos. Isto significa que todas as constelações marcadas por esta civilização estavam em lugares do céu por onde passava o círculo que o Sol desenhava na sua aparente viagem transição pela esfera celestial (aparente, porque o corpo que realmente se move nesta dança é a Terra).


Fig. 1 - Panorama de 360 graus da eclíptica, mostrando as ilustrações tradicionais de Hevelius de constelações zodiacais sobrepostas num mosaico fotográfico do céu noturno. - António Miguel de Campos


Lembra-te, o Zodíaco não abrange todo o céu, há mais constelações para além das que são mencionadas nos 12 signos babilónicos! Estes baseiam-se apenas em 12 conjuntos de estrelas, quando, ao todo, existem dezenas de constelações observáveis.


Curiosidade: existem tantas constelações no céu nocturno quantas teclas num piano clássico. Precisamente 88!

Ora, segundo o horóscopo tradicional, o nosso signo é pautado pela posição que o Sol ocupa no dia da nossa nascença. Eu, por exemplo, nasci a 4 de dezembro. Logo, segundo o horóscopo tradicional, sou do signo Sagitário, porque o Sol estava nessa constelação ao dia e hora do meu nascimento. Isto, se eu tivesse nascido no tempo dos Babilónios!


Ironicamente, se estes cientistas da Babilónia lessem o céu aos dias de hoje, e construíssem a roda do Zodíaco na mesma lógica, eu não seria Sagitário. O céu de hoje não é o mesmo de há 3000 anos atrás.

Fig. 2 - Detalhe de uma miniatura de uma roda do zodíaco. Imagem tirada de f. 37 de Breviari d'Amor. Escrito em francês (occitano) (provençal).



Porque é que o céu hoje é diferente?

Já deves saber que a Terra tem um movimento inerente de translação (em redor do Sol) e de rotação (em redor de si própria). Há um terceiro movimento! A precessão, que é uma mudança no eixo de rotação quase imperceptível. O movimento é muito parecido ao de um peão, que roda em redor do seu eixo. No caso da Terra, este movimento também existe, mas uma volta ao eixo completa demora cerca de 26,000 anos. A precessão ocorrida na Terra, desde os Babilónios até hoje, fez com que nossa posição relativa no Universo se tenha alterado muuuito ligeiramente, mas o suficiente para "tirar do sítio" a linha imaginária no céu que desenhava a rota do Sol no céu.

E esta é a razão fundamental para a desvalorização do nosso tradicional horóscopo.



Então em que é que ficamos?

A lógica do Zodíaco aplicada ao nosso céu (do séc. XX ou XXI) faria com que quase toda a gente fosse do signo do mês anterior. Ou seja, quando um Touro abre a secção do horóscopo para ler o seu signo, na verdade, devia estar a ler o Carneiro! Porque à data do seu nascimento, o Sol estava certamente na constelação de Carneiro.


O meu caso é ainda mais caricato. Ente 1 e 18 de Dezembro, o Sol não está nem em Sagitário nem em Escorpião. Há agora uma constelação entre essas duas - a constelação de serpentário. O meu verdadeiro signo nem sequer vem na revista!

Reflexão....

As descobertas astronómicas das civilizações antigas foram passos essenciais para a evolução da ciência como ela é conhecida e respeitada hoje.

Isto significa que o Zodíaco tem um significado histórico fascinante. Porém, todo o misticismo das previsões futuras que a astrologia nos apresenta aos dias de hoje são consideradas absolutamente “criminosas” aos olhos dos cientistas. Tomar decisões de vida a partir de um texto escrito com bases astrológicas é, por definição, uma decisão sem fundamentação verídica.

E tu?

Acreditas que os babilónicos escreveriam aquilo que lês na revista?

Encontras na astronomia antiga alguma espiritualidade?

Ou preferes o fascínio da ciência dos nossos dias?


Imagens:

  • Capa - Dreamstime.com

  • Zodiac wheel from BL Royal 19 C I, f. 37

  • www.obaricentrodamente.com

Fontes:



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