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Júpiter e Saturno alinham-se em fenómeno raro 

21 de Dezembro, 2020 | cosmopolita.pt

A 21 de dezembro de 2020, o nosso céu foi palco da grande conjunção de Júpiter e Saturno.

No dia do solstício de inverno, a posição relativa dos maiores planetas do sistema solar permitiu ver no céu dois "pontos de luz" em enorme proximidade.

 

Portugal teve "pouca sorte", dado que o céu esteve coberto na maior parte do território.

 

Há 397 anos que os dois maiores planetas do sistema solar não estavam tão próximos, e há mais de 800 que este fenómeno não acontecia durante a noite. Os dois planetas só voltarão a estar tão próximos como hoje em 2080.

Este acontecimento é raro?

A conjunção destes planetas acontece mais ou menos de duas em duas décadas. Este ano, o fenómeno é especial por calhar na data do solstício de inverno (a noite mais longa do ano) com a Lua na fase crescente.

Júpiter e Saturno passaram mesmo ao lado um do outro?

Não. No momento da grande conjunção, a distância entre os dois planetas era de centenas de milhões de quilómetros. Esta proximidade/conjunção é unicamente relativa ao nosso ponto de vista - à forma como os planetas se apresentam vistos da Terra.

A conjunção era a "estrela de Belém"?

Na Bíblia, a estrela de Belém aparece nos céus para guiar os reis Magos durante a noite de Natal. Foi posto em hipótese que, à data do nascimento de Jesus, poderá ter ocorrido um fenómeno astronómico que pudesse "acender uma luz" no céu. Isto é, poderá ter acontecido uma conjunção, uma explosão de supernova, ou uma entrada de um meteorito na atmosfera, entre outras hipóteses. Porém, nenhuma destas teorias está comprovada. O que vimos a 21 de dezembro de 2021 não foi, certamente, "a mesma estrela" a que se refere a Bíblia. No máximo, poderá ter sido o mesmo fenómeno, mas a evidência é residual para essa hipótese.

 

Como observar este tipo de fenómenos?

Apesar de um telescópio ser altamente recomendável, esta ocorrência é, até certo ponto, visível a olho nu. Júpiter e Saturno são não só visíveis, como estão entre as "estrelas" mais brilhantes. Júpiter é, aliás, 3 vezes mais brilhante do que Sirius (a estrela mais brilhante e a única no hemisfério norte mais brilhante do que Saturno). Reconhece-se facilmente um planeta pelo facto de, ao contrário das estrelas, não cintilar à vista desarmada.

Na foto do astrofotógrafo Rami Ammoun, abaixo, vemos a grande conjunção de Saturno e Júpiter fotografada no dia da sua maior aproximação. É possível identificar algumas luas destes dois planetas:

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